Varíola-dos-macacos: O que é esta doença e o que se sabe sobre os casos em Portugal e na Europa?

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Varíola-dos-macacos: O que é esta doença e o que se sabe sobre os casos em Portugal e na Europa?

Cinco casos de infeção pelo vírus Monkeypox foram já confirmados em Portugal pelo Instituto Nacional Doutor Ricardo Jorge. Que doença é esta, como se transmite, a que sinais devemos estar atentos? Onze perguntas para entender a varíola-dos-macacos.

O que é a monkeypox?

monkeypox, designação oficial utilizada pelas autoridades de saúde em Portugal, ou varíola-dos-macacos, em português, é um vírus do género Ortopoxvírus. Segundo explicou a Direção-Geral da Saúde (DGS), a doença é transmissível através de contacto com animais ou ainda do contacto próximo com pessoas infetadas ou com materiais contaminados.

Quantos casos foram identificados em Portugal?

Segundo a DGS, foram identificados, neste mês de maio, mais de 20 casos suspeitos de infeção pelo vírus Monkeypox, todos na região de Lisboa e Vale do Tejo, 18 dos quais já confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, esta quarta feira, dia 18 de maio.

Como se transmite?

A doença é rara e, habitualmente, não se dissemina facilmente entre os seres humanos. No entanto, a acontecer, tal pode suceder-se através do contacto com animais, do contacto próximo com pessoas infetadas ou ainda ser transmitido após o contacto com materiais contaminados.

Podemos falar em surto?

De acordo com a infeciologista Margarida Tavares, médica que é membro do grupo de trabalho criado pela Direção-Geral da Saúde que está a gerir esta situação, os casos de infeção pelo vírus Monkeypox confirmados em Portugal podem constituir um surto.

“Podemos utilizar a palavra surto porque podemos falar em surto sempre que há um aumento de casos face ao que é esperado. E nós não esperávamos que nenhum caso ocorresse em Portugal”, disse em declarações aos jornalistas.

Quem são as pessoas infetadas?

Os casos foram detetados em pessoas maioritariamente jovens, todos do sexo masculino. Estão estáveis, apresentando lesões ulcerativas.

Em declarações aos jornalistas, no Porto, Margarida Tavares, também diretora do Programa Nacional para as Infeções Sexualmente Transmissíveis e VIH confirmou que os casos foram detetados numa clínica ligada a doenças sexualmente transmissíveis em homens jovens com idades entre os 20 e os 50 anos.

“Foram identificados em contexto de atendimento numa clínica de doenças sexualmente transmissíveis porque apresentavam lesões genitais. É verdade que são casos de homens que têm sexo com homens, mas essa pode só ter sido a forma como foi dado o alerta. Ainda não sabemos mais. Não está descrita, classicamente, a via de transmissão sexual [como passível de causar esta infeção], mas há transmissão por contacto próximo, íntimo e prolongado”, descreveu.

Quais são os sinais de alerta?

Os sintomas de varíola-dos-macacos incluem lesões ulcerativas, erupção cutânea e gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço.

O que fazer perante uma situação suspeita?

Segundo o comunicado enviado pela DGS às redações, perante sintomas suspeitos, o indivíduo deverá abster-se de contactos físicos diretos. A abordagem clínica não requer tratamento específico, sendo a doença habitualmente autolimitada em semanas.

É habitual aparecerem casos desta doença?

De acordo com uma investigação de Brenda L. Tesini, realizada na University of Rochester School of Medicine and Dentistry, nos Estados Unidos, os relatos desta doença em humanos acontecem, esporadicamente, em África.

A investigadora diz que a maioria dos casos notificados ocorreu na República Democrática do Congo, sendo que também já foram confirmados casos na Serra Leoa, Libéria, República Centro-Africana, República do Congo e Nigéria.

Nos Estados Unidos, em 2003, ocorreu uma epidemia de varíola-do-macaco quando roedores infetados, importados da África como animais de estimação, disseminaram o vírus através de animais de estimação que, então, infetaram pessoas. Essa epidemia teve 35 casos confirmados, 13 prováveis e 22 suspeitos em seis estados. Não houve nenhuma vítima fatal.

O que pode explicar o aumento destes casos?

No documento publicado por Brenda L. Tesini, aponta-se para o aumento da incidência desta doença no continente africano relacionada com a interrupção da vacinação contra a varíola em 1980, uma vez que as pessoas que foram vacinadas contra a varíola registam menos risco de contrair a varíola símia.

Em Portugal, por exemplo, a vacina contra a varíola deixou de ser obrigatória em 1977 devido à erradicação da doença.

Para além de Portugal, há casos registados noutros países?

Sim. O Reino Unido já tem sete casos confirmados. O The Guardian recorda que há quatro anos, em 2018, vários casos também foram diagnosticados no país depois de um cidadão ter contraído o vírus na Nigéria.

Todos os casos foram identificados em homens que se identificam como homossexuais, bissexuais ou que têm relações sexuais com outros homens. A doença não é sexualmente transmissível, mas Michael Head, investigador sénior da Universidade de Southampton, explica que o contexto de um envolvimento sexual, devido à proximidade, pode potenciar a transmissão do vírus.

A autoridade de saúde britânica está a alertar para que se procure os ‘sinais de alerta’, como lesões ulcerativas, no corpo de um parceiro sexual para evitar uma possível situação de contágio.

Em Espanha foram detetados oito casos de varíola-dos-macacos. Os casos suspeitos foram todos identificados em homens, num centro de saúde de Madrid, mas não foi possível encontrar ligação entre a maioria dos doentes.

Qual é a taxa de mortalidade desta doença?

A maioria das pessoas recupera da doença em cerca de um mês, no entanto, a varíola dos macacos pode ser fatal em alguns casos. A taxa de mortalidade situa-se entre 1% e 10%.

Notícia de: SAPO